Por que Israel está salvando terroristas islâmicos?

Oitenta por cento dos sírios feridos que recebem assistência médica em Israel são rebeldes islâmicos do sexo masculino contra os cristãos e contra Assad. Só 20 por cento dos sírios tratados por Israel são civis

Julio Severo

Tenho assistido a alguns vídeos de propaganda de Israel dando assistência médica a sírios feridos. Tal propaganda tem como propósito colocar Israel numa luz bastante positiva aos olhos do público. Como cristão evangélico que apoia Israel, amo todo ato de bondade de Israel.

Soldados israelenses resgatando militante islâmico ferido na Síria

Contudo, tenho visto alguns fatos preocupantes acerca da assistência médica de Israel aos sírios.

Uma reportagem do jornal israelense Times of Israel, cuja manchete é “Israel acknowledges it is helping Syrian rebel fighters” (Israel reconhece que está ajudando combatentes rebeldes sírios), disse: “O ministro da Defesa [de Israel] Moshe Ya’alon disse na segunda-feira que Israel vem fornecendo assistência aos rebeldes sírios” e “vem ajudando exércitos que estão lutando para derrubar o presidente sírio Bashar Assad.”

“Ya’alon se referiu à assistência médica israelense aos rebeldes sírios, alguns dos quais estão presumivelmente combatendo junto com a Frente al-Nusra, ligada à al-Qaeda, para derrubar o presidente sírio Bashar Assad,” disse o Times of Israel, acrescentando, “Israel tem tratado mais de 1.000 sírios feridos em seus hospitais desde o início da guerra em 2011.”

Outro jornal israelense proeminente, o Jerusalem Post, numa reportagem cuja manchete é “Report: Israel treating al-Qaida fighters wounded in Syria civil war” (Reportagem: Israel está tratando combatentes da al-Qaeda feridos na guerra civil síria), disse: “Israel vem abrindo suas fronteiras com a Síria a fim de dar tratamento médico aos combatentes da Frente Nusra e al-Qaeda feridos na guerra civil.”

O Jerusalem Post acrescentou: “Israel tem dado assistência médica a quase 2.000 sírios… ‘uma autoridade militar israelense’… disse que a maioria dos que foram tratados eram rebeldes armados que estavam combatendo o governo sírio.”

Confirmando as reportagens israelenses, numa reportagem intitulada “Heartstopping footage shows Israeli commandos rescuing wounded men from Syrian warzone — but WHY are they risking their lives for Islamic militants?” (Filmagem extremamente chocante mostra soldados das forças especiais de Israel resgatando homens feridos da zona de batalha na Síria — mas POR QUE RAZÃO eles estão arriscando a vida para salvar militantes islâmicos?) o jornal britânico DailyMail disse que tropas de elite israelenses têm resgatado em grande parte homens sírios da guerra síria quase todas as noites.

O DailyMail comentou: “Israel insiste em que esses resgates noturnos perigosos são puramente humanitários, e que com isso espera ‘ganhar corações e mentes’ na Síria. Mas os analistas indicam que o Estado judeu tem realmente feito um ‘acordo mortal com o diabo’ — oferecendo apoio aos militantes sunitas,” que são “membros de Jabhat al-Nusra, um grupo sírio ligado à al-Qaeda que tem sequestrado muitos soldados da força de paz da ONU nessa região, e tem massacrado cristãos no interior da Síria.”

O DailyMail também disse: “Nos três anos que vem dirigindo essas operações, Israel salvou a vida de mais de 2.000 sírios — pelo menos 80 por cento dos quais são homens em idade de serviço militar — a um custo de 50 milhões de shekels (mais de 8 milhões de dólares),” acrescentando que só “20 por cento dos sírios tratados por Israel são civis.”

Há um genocídio de cristãos em andamento avançado na Síria. Qualquer que seja a estratégia militar de Israel, as tropas de elite israelenses estão resgatando militantes islâmicos selvagens diretamente responsáveis pelo genocídio de cristãos sírios.

Um ano atrás, o bispo caldeu de Aleppo, Antoine Audo, disse que a população cristã na Síria havia sido reduzida em dois terços em cinco anos — de 1,5 milhão para só 500.000.

Falando numa coletiva à imprensa na sede da ONU em Genebra, Audo disse que só em Aleppo a população cristã foi reduzida de 160.000 para 40.000.

De acordo com o site noticioso conservador Breitbart, esses 40.000 cristãos restantes são pró-Assad e temem os rebeldes islâmicos apoiados pelos EUA. Eles temem que se esses rebeldes ganharem território, os cristãos virarão alvos, tanto por sua fé quanto pelo apoio que dão ao governo sírio.

Quem está combatendo quem na Síria — e qual tem sido a postura de Israel com relação ao sofrimento dos cristãos?

Por seis anos amargos, a guerra civil síria vem assolando a apenas 1 km de Israel.

Israel tem interesses importantes em jogo na guerra síria. O que é mais óbvio é que Israel está preocupado com o papel do Hezbollah no conflito sírio. Pelo fato de que o ISIS e os rebeldes sírios são inimigos do Hezbollah, Israel os apoia. De um ponto-de-vista israelense, é um caso de “o inimigo do meu inimigo é meu amigo.”

Entretanto, os inimigos do Hezbollah estão cometendo genocídio contra os cristãos sírios.

Abaixo está um resumo dos agentes principais na Síria, e o que cada um significa para os cristãos e Israel.

Tropas de Assad: O Exército Sírio é significativamente pró-cristãos e, com a ajuda do apoio aéreo russo, vem combatendo o ISIS e os rebeldes sírios. Israel vê mais problemas com Assad do que com o ISIS e os rebeldes sírios.

Hezbollah: A organização libanesa xiita de guerrilha ajuda o Irã na Síria. O Hezbollah vem combatendo o ISIS e os rebeldes sírios, e os cristãos sírios não têm enfrentado nenhum genocídio por parte do Hezbollah. No entanto, o Hezbollah é um dos inimigos mais mortais de Israel, tendo sequestrado vários soldados israelenses e tido conflitos debilitantes com o Estado judeu.

Rússia: Oficialmente em termos amistosos com Israel, Vladimir Putin tem apoiado Assad. O site noticioso conservador WorldNetDaily disse que a presença russa na Síria está combatendo o terrorismo e protegendo os cristãos. Raymond Ibrahim, autor do livro best-seller “Crucified Again” (Crucificados de Novo) sobre a perseguição islâmica aos cristãos, tem louvado os esforços russos na Síria para proteger os cristãos, mas ele tem condenado os esforços americanos de ajudar os rebeldes sírios que matam cristãos.

Numa matéria de capa da revista Decision, Franklin Graham, filho do evangelista famoso Billy Graham, disse:

Nunca ouvi Putin citar a Bíblia, mas durante sua campanha eleitoral de 2012, ele se encontrou com líderes cristãos em Moscou e se comprometeu a proteger os cristãos perseguidos no mundo todo. Essa é uma das razões por que ele apoia o governo de Assad na Síria.

A Síria, por todos os seus problemas, pelo menos tem uma constituição que garante proteção igual dos cidadãos. No mundo inteiro, temos visto que isso é essencial onde os cristãos são minoria e não são protegidos. Os radicais na Síria querem uma constituição islâmica baseada na lei islâmica.

Os cristãos têm vivido na Síria desde a época de Cristo. O Apóstolo Paulo estava na estrada para Damasco quando teve um encontro com Cristo. Os cristãos na Síria sabem que se os radicais derrubarem Assad, haverá perseguição generalizada e massacres em grande escala de cristãos.

ISIS: O grupo jihadista brutal, que se tornou o inimigo número um dos cristãos na Síria e Iraque, controla áreas do Iraque e Síria que abrigam cinco milhões de pessoas e ganha mais de 2 bilhões de dólares por ano.

Arábia Saudita: A ditadura islâmica saudita é o principal patrocinador e financiador dos militantes sunitas, inclusive rebeldes islâmicos ligados à al-Qaeda, que estão combatendo Assad. O ISIS é também um grupo sunita. A Arábia Saudita está envolvida numa luta de longa data pela supremacia com o Irã. Entende-se que a Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico têm um relacionamento em andamento com Israel contra Assad.

Milícias xiitas: O Irã tem mobilizado uma rede multinacional de milícias xiitas na Síria para combater as redes sunitas do ISIS e al-Qaeda. Israel vê a ameaça xiita como maior do que a ameaça do ISIS. Mas para os cristãos sírios, a ameaça do ISIS é maior do que a ameaça xiita.

Al-Qaeda: Vários grupos ligados à al-Qaeda estão combatendo Assad na Síria, inclusive a temida Frente al-Nusra, também conhecida como al-Qaeda síria.

Rebeldes sírios: Uma variedade de militantes islâmicos opostos a Assad é mencionada geralmente como Exército Sírio Livre. Eles não têm desejo urgente de combater Israel, mas têm o mesmo ódio geral pelo Estado judeu que domina na Síria. Eles vêm também massacrando cristãos sírios. Eles recebem apoio dos Estados Unidos e Europa.

Estados Unidos: Como secretária de Estado sob Obama e defensora implacável do complexo industrial militar, Hillary Clinton ajudou a espalhar violência desde a Líbia até o Afeganistão.

Talvez o desastre mais glorioso dela foi sua promoção implacável de mudança de regime liderada pela CIA na Síria. Com o apoio da CIA, que fornecia e fornece armas e treinamento para rebeldes islâmicos, Hillary queria derrubar o presidente sírio Bashir al-Assad e disse que isso seria uma ação rápida, econômica e bem-sucedida. Em agosto de 2011, Hillary levou os EUA ao desastre com sua declaração de que Assad “tem de sair,” com o apoio de operações secretas da CIA.

Seis anos depois, nenhum país neste mundo está tão devastado por guerra infindável quanto a Síria. A população cristã síria tem sido praticamente dizimada, mais de 10 milhões de sírios foram desalojados, e os refugiados sírios estão minando a estabilidade política da União Europeia. No caos criado pelas operações da CIA e da Arábia Saudita para derrubar Assad, o ISIS preencheu o vácuo e usa uma boa parte do território sírio como base para atentados terroristas islâmicos no mundo inteiro.

Trump não parece ter aprendido lições dos desastres de Hillary na Síria e ele vem apoiando a propaganda da CIA de que Assad deve ser deposto. Como o governo de Obama, o governo de Trump não tem feito nada para resgatar os cristãos sírios da violência de Hillary e Obama na Síria.

Esse é o quadro caótico na Síria e as intervenções dos EUA, com assistência saudita, não estão ajudando os cristãos.

Israel está absolutamente certo em lutar por sua Terra Prometida, principalmente contra a agressão palestina. Mas Israel está absolutamente errado em ajudar radicais islâmicos.

Israel deveria usar sua elevada capacidade militar, e seus soldados das forças especiais, para resgatar vítimas cristãs na Síria. Ao ajudar os terroristas islâmicos que estão cometendo genocídio contra os cristãos, Israel está se desviando do propósito de Deus.

Deus está absolutamente certo quando diz sobre Israel: “O meu povo é inclinado a desviar-se de mim.” (Oséias 11:7 King James Atualizada)

Os Estados Unidos têm recebido milhares de refugiados muçulmanos sírios e dado visto, moradia, alimentação e emprego. Israel tem tratado milhares de sírios islâmicos feridos. Eles não poderiam fazer muito mais pelos cristãos? Eles não podem receber milhares de cristãos em suas terras? Por que não?

Tanto Israel quanto os Estados Unidos poderiam usar suas tropas de elite para resgatar os cristãos do genocídio que o ISIS e a al-Qaeda estão cometendo contra eles. Por que eles não fazem isso?

Com informações do Jerusalem Post, Times of Israel, DailyMail, Breitbart, revista Decision e Huffington Post.

Versão em inglês deste artigo: Why Is Israel Saving Islamic Terrorists?

Fonte: www.juliosevero.com

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