Olavo de Carvalho elogia Suplicy e diz que trabalharia até com Satanás pelo Brasil

Julio Severo

O título deste artigo foi extraído do título original de uma reportagem da BBC em português que diz: “Olavo de Carvalho elogia Suplicy e diz que trabalharia até com Satanás pelo Brasil.” A reportagem original da BBC fez a cobertura de um evento chamado “Brazil Conference,” na Universidade de Harvard.

A BBC diz:

Tido como polo ideologicamente oposto ao vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), o filósofo Olavo de Carvalho afirmou que aprova a ideia da renda básica da cidadania (projeto do petista que propõe vencimento mínimo a todos os cidadãos do Brasil), e que trabalharia com o Suplicy para aprimorá-la.

“Suplicy é um sujeito muito simpático e a ideia dele não é ruim, que todo mundo tenha uma renda,” disse Carvalho em entrevista exclusiva à BBC Brasil na Universidade Harvard, em Massachusetts (EUA).

Suplicy citou a renda básica da cidadania em todas as suas respostas. O projeto propõe uma renda mínima para todos os cidadãos, ricos e pobres, inclusive estrangeiros que vivam no Brasil há mais de cinco anos.

Carvalho acrescentou: “A renda básica moralmente está certa.”

Nos anos de governo do Partido dos Trabalhadores (2003-2016) o Brasil iniciou o bolsa família, um programa populista do governo socialista que deu dinheiro para milhões de brasileiros. Esse programa era dirigido apenas para famílias pobres. Contudo, o projeto de Suplicy é mais ambicioso e expansivo socialisticamente e busca garantir automaticamente salários grátis, ou dinheiro de graça, para todos os cidadãos do Brasil. Isso é muito mais extensivo e socialista do que o bolsa família, que era financiado por quem paga impostos.

O projeto de Suplicy semelhantemente seria financiado pelos brasileiros que pagam impostos.

Como é que Carvalho conseguiria melhorar tal projeto socialista? Se o socialismo estatal (financiado por quem paga impostos) é repugnante para ele, e quanto ao socialismo católico? Pelo fato de que Carvalho diz que é católico, sua alternativa faria com que a Igreja Católica financiasse integralmente um salário grátis para todos os cidadãos brasileiros? Ou, e quanto ao socialismo maçônico? Considerando que Carvalho tem mostrado admiração pela maçonaria, ele estaria interessado em convencer a maçonaria a financiá-lo?

O debate de Carvalho com Suplicy foi apenas um microcosmo de 100 outros debates com palestrantes e moderadores brasileiros. O evento, realizado na Universidade de Harvard por estudantes brasileiros de Harvard e MIT, reuniu um número elevado de palestrantes brasileiros, inclusive a ex-presidente Dilma Rousseff, o juiz federal Sérgio Moro, os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso e a ex-senadora Marina Silva. Cada um deles participou de um debate com outro indivíduo com proeminência social semelhante.

De acordo com a BBC:

O objetivo da conferência, segundo os organizadores, é aproximar polos opostos.

“No Brasil, a direita e a esquerda simplesmente não conversam,” disse o pesquisador David Pares, um dos presidentes da Brazil Conference, no início da semana.

“As pessoas só compartilham o que já acreditam. Entendemos isso como falta de diálogo entre ideais diferentes e esse é o maior problema da polarização. A ideia da conferência é ajudar as pessoas a desmistificarem o polo oposto,” afirmou.

Carvalho cumpriu o objetivo do evento: ele falou de forma simpática do petista Suplicy e de seu projeto socialista. É impressionante que ele chamasse Suplicy de “um sujeito muito simpático,” dizendo que a ideia socialista dele “não é ruim.” Em contraste, ele não é conhecido por dizer coisas simpáticas para conservadores. Numa entrevista de dezembro de 2016 para a BBC, Carvalho foi apresentado como um direitista combatendo outros direitistas proeminentes no Brasil. Aliás, ele é conhecido não só por dizer coisas desagradáveis e imorais sobre líderes direitistas, mas também por realmente xingá-los.

Ainda que o evento tivesse sido realizado em Harvard, garantindo holofote e visibilidade midiática em massa nos Estados Unidos, o debate específico de Carvalho, realizado na sexta-feira (7 de abril), havia ganho holofote limitado só no serviço de língua portuguesa da BBC, cuja versão em inglês não fez nenhuma reportagem do evento.

Pesquisa do Google não mostra (do período de 7 a 12 de abril na pesquisa) nenhum holofote da mídia americana para o debate de Carvalho, seis dias depois do evento.

Evidentemente, o público americano não teve nenhum interesse num evento brasileiro nos EUA. Ainda que alguns nomes de palestrantes sejam bem famosos no Brasil, 100 é muito para escolher, e qualquer nome menos conhecido do que Dilma e Moro não chegou nem a ser considerado para atenção. Pelo menos, nenhum membro dos grandes meios de comunicação dos EUA deu atenção alguma.

Entretanto, até mesmo quando a grande mídia dos EUA evita um evento, a mídia conservadora americana, que é muito poderosa, faz cobertura de palestrantes conservadores, principalmente se eles estão palestrando em Harvard. Mas nenhum membro da mídia conservadora dos EUA se envolveu.

Seja como for, o microcosmo do debate de Carvalho com o petista Suplicy de forma alguma se assemelhou a conservadorismo em defesa ou oposição a ideias. O projeto de Suplicy não era conservador.

A resposta de Carvalho foi conservadora? Dificilmente. Aliás, seu conceito de conservadorismo é tão nebuloso quanto seu passado esotérico. Semanas atrás ele disse em sua página de Facebook:

Por isso é que, quando me apresentam como “filósofo conservador”, a única resposta que me ocorre é: — Conservador é a puta que o pariu, que conservou você na barriga por nove meses em vez de deixá-lo cair na privada.

Com tal linguajar sujo, é compreensível por que Carvalho não aproveitou a oportunidade para defender valores conservadores. Embora Suplicy defendesse seus valores socialistas, Carvalho se limitou a louvá-lo.

No Brasil Carvalho é conhecido por condenar o bolsa família, mas em Harvard ele louvou um modelo socialista pior do que o bolsa família. Em português, nunca em inglês, Carvalho injustamente xinga o protestantismo, Lutero e Calvino com sua boca suja típica, mas em Harvard ele se absteve de xingar essa universidade, fundada por um protestante sólido, que hoje é um centro de marxismo, feminismo, bruxaria, etc. Além disso, Harvard recebe financiamento da Arábia Saudita. Harvard merece ser criticada.

Isso não é problema para Carvalho: anos atrás ele recebeu um prêmio da ditadura saudita (que a mídia americana insiste em chamar de “governo”) por uma biografia de Maomé que ele havia escrito. Se isso não é cooperar com Satanás, não sei o que é.

Se, como a BBC afirmou, Carvalho trabalharia com Satanás em acordos políticos com petistas como Suplicy, é algo que só o tempo dirá, mas o tempo já disse muitas coisas no histórico de Carvalho. De acordo com a BBC, ele “trabalhou com Satanás” no passado. Em sua entrevista para o serviço de língua portuguesa da BBC (não disponível em inglês) em dezembro de 2016, Carvalho falou sobre seu envolvimento com a astrologia (ele fundou a primeira escola de astrólogos do Brasil) e com a bruxaria islâmica.

Para a BBC, ele disse que essa experiência foi “absolutamente indispensável” para sua formação.

Na entrevista, a BBC apresentou Carvalho assim:

Nascido em Campinas (SP) há 69 anos, professor de filosofia sem jamais ter concluído um curso universitário e adepto da teoria de que “a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes”, Carvalho acumula desafetos com a mesma intensidade com que é defendido por seus admiradores.

A entrevista da BBC foi uma grande novidade, pois embora Carvalho diga que toda a Esquerda odeia a Inquisição e a use para atacar católicos, a mídia maciçamente esquerdista do Brasil nunca usou a Inquisição para atacar Carvalho. A BBC foi o primeiro grande canal de língua portuguesa a mencionar Carvalho e sua defesa da Inquisição.

A BBC disse:

As opiniões do filósofo sobre o papel da Igreja Católica na Inquisição lhe renderam críticas entre evangélicos. Carvalho escreveu no Twitter em 2013 que “a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes.”

“Até mesmo na imagem popular das fogueiras da Inquisição a falsidade domina. Todo mundo acredita que os condenados ‘morriam queimados,’ entre dores horríveis. As fogueiras eram altas, mais de cinco metros de altura, para que isso jamais acontecesse.”

De acordo com ele, os hereges — “menos de dez por ano em duas dúzias de países” — morriam sufocados antes que as chamas os atingissem. Criticado nas redes sociais pela afirmação…

Dois anos depois, xingou Lutero e Calvino, principais líderes da Reforma Protestante. “A Igreja Católica superlotou-se de filhos da puta ao longo dos séculos, mas a protestante já nasceu fundada por dois.”

Você pode encontrar mais informações, inclusive um vídeo, sobre a defesa que ele faz da Inquisição neste artigo de minha autoria: “Olavo de Carvalho e a Inquisição.”

Carvalho está dividindo a Direita brasileira em muitas questões conservadoras, inclusive a homossexualidade, que ele acredita ser natural, mas ele tem tido uma grande vitória: ele está unificando a Direita católica com seu discurso pró-Inquisição estridente.

Em minha opinião, qualquer indivíduo que trabalhou com a Inquisição 500 anos atrás trabalhou com Satanás. E qualquer indivíduo hoje que quer tornar a Inquisição menos ofensiva realmente trabalha com Satanás.

Um histórico esotérico profundo possibilitou que Carvalho trabalhasse para reabilitar a Inquisição.

Se a Esquerda brasileira nunca usou a Inquisição para atacar Carvalho, por que a Harvard apóstata, mergulhada em marxismo e satanismo, veria um problema com um brasileiro trabalhando com Satanás para defender o revisionismo da Inquisição?

Versão em inglês deste artigo: Olavo de Carvalho Praises Socialist Militant and Says He Would Even Work with Satan for Brazil

Fonte: www.juliosevero.com

Leitura recomendada:

Olavo de Carvalho na BBC é destacado como “adepto da teoria de que ‘a entidade chamada Inquisição é uma invenção ficcional de protestantes’”

Olavo de Carvalho e a Inquisição

Manual Bíblico de Halley e a Inquisição

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