Embaixadora dos EUA diz que vai continuar batendo na Rússia

Julio Severo

A embaixadora dos EUA na ONU diz que não há dúvida de que a Rússia estava envolvida na eleição presidencial americana e insiste em que o Presidente Donald Trump plenamente apoiaria ações enérgicas contra a Rússia logo que as investigações estiverem completas.

Falando em entrevistas televisionadas transmitidas no domingo, Nikki Haley argumentou que não existe contradição entre sua postura dura e as frequentes declarações públicas de Trump buscando minimizar o papel da Rússia. Ela disse que nenhuma vez Trump a orientou a parar de bater na Rússia.

Ainda que o ex-governo de Obama tivesse acusado a Rússia de interferência durante a campanha americana de 2016 para ajudar Trump e houvesse imposto várias sanções contra a Rússia, Haley vem mostrando a mesma disposição: ela quer expandir as sanções de Obama contra a Rússia. Ela apoia interferência americana na Ucrânia contra a Rússia. Em contraste, Trump não havia apoiado tal interferência no ano passado.

Ela mostrou descontentamento com o alegado envolvimento russo nas eleições americanas, mas ela parece ignorar o envolvimento dos EUA nas eleições de outras nações. John Perkins, em seu livro “Confessions of an Economic Hit Man” (Confissões de um Assassino Econômico), disse que agências de inteligência dos EUA têm burlado eleições em outras nações.

De acordo com Joseph Farah, dono do WND (WorldNetDaily), até Israel não escapou da interferência dos EUA em eleições israelenses. Farah disse: “Barack Obama usou dinheiro dos americanos que pagam impostos abertamente para influenciar a eleição de seu melhor aliado no Oriente Médio, Israel.” Ele acrescentou: “O falecido senador Ted Kennedy chegou a pedir ajuda da União Soviética para derrotar a campanha de reeleição de Ronald Reagan em 1988. Onde é que estavam então as carrancas de protestos?”

Enquanto 30 anos atrás só republicanos conservadores estavam acertadamente batendo na União Soviética por causa de interferência esquerdista, hoje o partido de Obama e republicanos estão batendo na Rússia por alegada interferência conservadora em favor de Trump.

Haley disse: “Não queremos nenhum país envolvido em nossas eleições, jamais. Precisamos ser muito fortes nisso.”

Então ela não quer que outras nações façam com os EUA o que os EUA têm feito com outras nações, inclusive com Israel. Mas será que a Rússia realmente burlou as eleições dos EUA a favor de Trump?

O próprio Trump tem dito que acredita que agentes russos hackearam os e-mails do Partido Democrático durante a eleição. Se ele estiver certo, os russos podem ter ajudado a elegê-lo. Os órgãos de espionagem dos EUA relatam que a Rússia tentou ajudar a campanha de Trump.

E agora Haley tem a intenção, como fez Obama, de punir a Rússia por ajudar Trump?

Quando perguntada se ela crê que Trump deveria adotar publicamente uma postura mais dura contra a Rússia, ela respondeu: “É claro, e há muitas coisas que ele já está fazendo.”

Tradicionalmente, na moderna política americana, os neocons são firmes na ideia de que os EUA devem sempre manter uma postura contra a Rússia, principalmente com suas alianças islâmicas contra a Rússia. Em sua campanha, Trump se distanciou dos neocons e sugeriu que o melhor caminho para os EUA era ter uma aliança com a Rússia contra o terrorismo islâmico.

Uma aliança russo-americana seria algo muito positivo, pois a Rússia moderna sob Putin adotou valores mais conservadores, defendendo na ONU valores pró-vida e pró-família, inclusive uma lei exemplar proibindo na Rússia a propaganda homossexual para crianças e adolescentes. Até mesmo os EUA não têm nenhuma lei para proteger suas crianças e adolescentes contra tal propaganda.

Trump está tendo muitas dificuldades de implementar seu discurso de campanha. Cada vez que ele tenta estender a mão para a Rússia em amizade e parceria, neocons na grande mídia e nas elites fazem um caos político para ele. A Esquerda americana, que adorava a União Soviética, tem mostrado disposição abundante de hostilizar e provocar a Rússia a todo momento.

Sujeitando-se à pressão dos neocons e do partido de Obama, Trump vem substituindo seus assessores pró-Rússia por assessores anti-Rússia.

Mais de 50 anos atrás, evangelistas avisavam o povo americano que se John F. Kennedy fosse eleito, o papa estaria na Casa Branca. Kennedy foi o primeiro presidente católico dos EUA. A família Kennedy era notória por conexões esquerdistas e ligações com a máfia. Se eles e o Partido Democrático podiam ter tais ligações, por que os conservadores dos EUA, inclusive Trump, não podem ter uma parceria com uma Rússia conservadora?

Por que os EUA podem ter ligações com nações terroristas, mas não com uma Rússia conservadora?

A realidade é que Haley, que se considera evangélica, vem batendo na Rússia em seus discursos inflamatórios na ONU. Mas ela não vem batendo na Arábia Saudita, que é o principal patrocinador do terrorismo islâmico no mundo inteiro. A conduta dela é semelhante à conduta de Obama.

Com o governo de Obama, a Arábia Saudita financiou o ISIS, que tem cometido genocídio de cristãos sírios e iraquianos. A Rússia tem combatido o ISIS.

Por que Haley bate naqueles que combatem o ISIS, mas não bate naqueles que ajudam o ISIS?

Com informações da Associated Press.

Versão em inglês deste artigo: US Ambassador Says She Will Keep Beating Up on Russia

Fonte: www.juliosevero.com

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