Por que os evangélicos preferem Donald Trump a Hillary Clinton?

Julio Severo

Estão aparecendo rachaduras no apoio evangélico a Donald Trump desde o vazamento de um vídeo contendo comentários vulgares dele sobre o sexo feminino, embora continue firme o apoio de alguns de seus apoiadores evangélicos conservadores mais proeminentes, como Jerry Falwell Jr., presidente da Universidade Liberdade.

Entre os que reverteram postura está o Dr. Wayne Grudem, famoso teólogo calvinista não cessacionista. A proeminente revista evangélica Christianity Today, que tem uma linha liberal hoje, na segunda-feira disse que Trump é “a personificação do que a Bíblia chama de tolo.”

James Dobson, um dos maiores líderes pró-família dos EUA, condenou os comentários de Trump, mas destacou que o ativismo de Hillary Clinton em prol do aborto é criminoso.

“O sr. Trump promete apoiar a liberdade religiosa e a dignidade dos bebês em gestação. A sra. Hillary promete que não fará isso,” Dobson disse numa declaração.

Falwell, que desde o início da campanha eleitoral apoia Trump, disse que os comentários de Trump merecem repreensão. No entanto, ele disse que os americanos “nunca vão ter um candidato perfeito,” e indicou que o vazamento do vídeo foi uma trama de inimigos dentro do próprio Partido Republicano de Trump.

“Penso que foi tudo cronometrado,” Falwell disse à rádio AM WABC de Nova Iorque. “Acho que pode até ter sido uma conspiração, entre a elite republicana que já sabia de tudo há semanas, mas experimentou cronometrá-lo para provocar danos máximos.”

Trump tem inimigos poderosos dentro do Partido Republicano, especialmente neocons, que são belicistas e adoram guerras e intervenções militares. Eles querem insistentemente guerra com a Rússia.

No debate de domingo passado, a moderadora lembrou a Trump que seu vice, Mike Pence, disse que os EUA devem adotar uma postura agressiva contra a Rússia. Trump deixou publicamente claro que discorda de Pence, enfatizando: “A Rússia está lutando contra o ISIS.”

Tanto a moderadora quanto Hillary o pressionaram fortemente com relação à Rússia, mas Trump resistiu na sua postura, que difere tanto de republicanos quanto de democratas. Eles veem a Rússia como a maior ameaça. Trump vê o ISIS com a maior ameaça.

A elite republicana não está satisfeita com as posturas diferentes de Trump.

O WND (WorldNetDaily), usando como fonte o Infowars, disse que o vazamento do vídeo contendo comentários vulgares privados de Trump foi um complô da elite do Partido Republicano para sabotar a campanha de Trump. Em resumo: Trump foi traído pelos líderes do seu próprio partido.

Mas o televangelista Pat Robertson não deu a mínima para as vulgaridades particulares de Trump vazadas maliciosamente, classificando-as como uma tentativa do candidato no passado de querer “parecer que ele é macho.”

No vídeo divulgado na sexta-feira, ouve-se Trump expressando comentários indecentes sobre as mulheres. Respondendo ao vazamento, Trump disse que errou ao fazer esses comentários privados.

Muito pior do que os comentários obscenos privados de um americano que tem tido apoio de evangélicos conservadores é a conduta de alguns autoproclamados conservadores brasileiros de promover de forma pública e diária comentários vulgares sem o mínimo pudor e sem jamais dizer “Errei.”

Contudo, nos EUA, que não têm a cultura de vulgaridade aceita entre conservadores como é o caso do Brasil, o apoio cristão conservador a Trump está confundindo quem está dentro e fora do mundo evangélico. Trump, que já foi casado três vezes, é um empresário poderoso de prédios de cassino. No início da candidatura dele, evangélicos proeminentes, inclusive o escritor Max Lucado, alertaram os evangélicos contra Trump por causa da questão da decência.

Embora boca porca seja um problema sério, o público poderia ignorar os problemas maiores de Hillary?

Numa pesquisa recente do Centro de Pesquisa Pew, aproximadamente 75 por cento dos evangélicos brancos americanos disseram que sua maior razão para preferir Trump é que eles têm aversão a Hillary. Essa aversão, em grande parte, é por causa do ativismo de aborto e homossexualidade dela.

Em contraste com os evangélicos brancos americanos, a Associated Press informou que mais de 6 mil igrejas evangélicas latino-americanas, inclusive brasileiras, nos EUA estão apoiando Hillary, por causa de suas políticas de favorecimento aos imigrantes. Venderam seus valores éticos, morais e espirituais por um prato de lentilha socialista.

Por causa da questão de imigração, a Igreja Católica nos EUA também acha mais fácil apoiar Hillary.

Com a sabotagem da elite republicana, ficará mais fácil para os evangélicos imigrantes votarem em Hillary usando como desculpa as vulgaridades de Trump. Até o mórmon Glenn Beck, louvado entre conservadores americanos, está incentivando isso.

O foco deveria ser a privacidade indecente de Trump, pela qual ele já se desculpou?

Num congresso na Universidade Liberdade na segunda-feira, Falwell focou no histórico abortista e homossexualista de Hillary, julgando-o como uma ameaça muito maior do que as vulgaridades particulares de Trump. Falwell disse que daqui a cinco anos, “ninguém vai se lembrar” do que o candidato republicano disse.

Entretanto, se Hillary for eleita, todos nos Estados Unidos e no mundo pagarão caro pelo agressivo ativismo abortista e homossexualista dela.

Com informações da Associated Press e WND (WorldNetDaily).

Versão em inglês deste artigo: Why Do Evangelicals Prefer Donald Trump to Hillary Clinton?

Fonte: www.juliosevero.com

Leitura recomendada:Fonte: www.juliosevero.com

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