O triste legado do filho de Francis Schaeffer

O triste legado do filho de Francis Schaeffer

Ingrid Schlueter

Recentemente, topei com um artigo do filho do falecido Dr. Francis Schaeffer. Ele era conhecido como Franky, mas agora prefere apenas Frank. Os artigos e livros de Frank Schaeffer apelavam para mim quando eu era estudante colegial na década de 1980.

Lembro-me de um namoro com um rapaz que me levou para a casa de seus pais para debater o livro A Time for Anger: The Myth of Neutrality (Um tempo para ira-se: o mito da neutralidade). Foi uma noite interessante. Schaeffer escrevia de forma ousada e apontava que não havia lugar para neutralidade nas convicções de um cristão. Ele agiu firmemente assim até 1992.

Ouvi Frank Schaeffer falar numa igreja em nossa cidade onde ele literalmente manteve a audiência na reunião pró-vida na palma de sua mão. Nunca me esquecerei do discurso dele à medida que ele apontava a certeza do valor da vida e como as mentiras dos promotores do aborto precisavam ser desmascaradas. Eu estava sentada ouvindo seu discurso ardente por meio dos alto-falantes da igreja. Num mundo de covardes e cristãos passivos, aí estava alguém que, com a oratória de um homem como Patrick Henry, estava chamando os cristãos para a ação. Isso foi no verão de 1992.

Poucos sabiam naquela época que Frank estava no processo de abandonar tudo aquilo em que acreditava. Ele havia se convertido à Igreja Católica Ortodoxa em 1990 e estava para escrever uma trilogia de livros de ficção que ridicularizavam sua criação inteira na L’Abri, seus pais, suas irmãs e a fé de seus pais. Ele zombou do protestantismo em geral e do evangelicalismo em particular. A série dele, intitulada Calvin Becker, foi amplamente saudada como grande ficção

A revista Publishers Weekly juntou-se ao coro de jornais americanos que estavam louvando a perspectiva “brilhante” e “genial” de Frank Schaeffer acerca da vida em família dos evangélicos. Eu li o primeiro livro, Portofino, e fiquei enojada. O livro seguinte da série era tão deprimente que parei de ler. (Esse livro, Saving Grandma (Salvando a Vovó), deixa você com a impressão de que o pai de Frank era, em segredo, um viciado em pornografia. Frank inicialmente afirmou que os livros não eram autobiográficos, mas no artigo que li, ele diz que a trilogia mostra o que sua família evangélica conservadora lhe fez.)

Não me importei com o terceiro livro dele, onde ele conta em detalhes acerca de seu caráter de adolescente e como ele seduziu uma empregada de hotel. A capa do livro original mostra uma mulher de sutiã. (Por razões puramente comerciais, notei que mudaram a capa agora. Talvez até mesmo a editora secular tivesse recebido críticas por uma capa desse tipo.)

Sim, Frank é talentoso. Tendo trabalhado com ele num projeto de vídeo para o Instituto Rutherford, eu ficava simplesmente pasma diante dos talentos dele. Ele é brilhante e tem muito jeito para fazer as coisas. Mas à medida que assisti o novo Frank surgir, minha desilusão se transformou em nojo.

Aí está agora um homem que está usando seus muitos talentos para envergonhar seus pais e zombar dos milhões de cristãos fiéis que NÃO são católicos ortodoxos e que acreditam que “essas coisas estão escritas” nas Escrituras para que saibamos que temos a vida eterna.

Frank agora prefere “mistério” em vez de respostas. Ele abraçou a Igreja Católica Ortodoxa — ironicamente, com paixão fundamentalista —, provocando tumulto entre os líderes católicos ortodoxos na América do Norte.

Seu livro Dancing Alone (Dançando Sozinho) descreve em detalhes sua conversão e sua convicção de que a Igreja Católica Ortodoxa é a verdadeira igreja. Ele se tornou evangelista dessa igreja, vendendo CDs dos cânticos católicos ortodoxos e explicando que é a única religião verdadeira, etc. Ele agora chama a Reforma de a “rebelião protestante”.

Nos últimos anos, as editoras estão mostrando muito interesse em Frank por causa dos livros dele sobre seu filho John que se alistou no exército. Esses livros contêm obscenidades e palavrões.

Gostaria de fazer alguns comentários depois de ver o artigo de Frank Schaeffer, escrito no jornal San Francisco Chronicle. Compreendo o cinismo dele acerca do mundo evangélico. Sem dúvida nenhuma, há muitos erros nas igrejas evangélicas.

Passo grande parte do tempo expondo esses erros e chamando as pessoas a voltar a confiar na autoridade da Palavra de Deus. Mas há uma tendência crescente entre os cristãos de jogar fora a Reforma e voltar para Roma ou, no caso de Frank, para Constantinopla. De volta ao futuro. A Igreja Católica Ortodoxa ensina a idéia de que a salvação é uma luta que travamos a vida inteira. Dá-se um sumiço no ensino de que a salvação é por meio da graça apenas, por meio da fé apenas e somente em Cristo.

Agora, precisamos voltar ao sistema de trabalhar com nossas próprias mãos nossa ida ao céu. Frank fez sua escolha. Ele agora se acha no outro lado de onde começou. No passado, ele próprio teria apontado esse erro de forma bem clara. Agora, é ele quem está defendendo esses erros em seus escritos.

Há um aviso aqui. No nevoeiro de desilusão com o atual estado das igrejas evangélicas, não vamos cometer o erro de pular de um erro para outro. A amargura de Frank contra seus pais e contra os evangélicos (ele usa o termo fundamentalista a torto e direito) fez com que muitos evangélicos se desviassem e voltassem à escravidão da salvação através das obras da Igreja Católica Ortodoxa.

Ele agora ganha a vida publicando artigos atacando os que adotam a Palavra de Deus como única autoridade. Na mente dele, os evangélicos não são melhores do que os fanáticos muçulmanos que lançaram aviões em edifícios em ataques terroristas.

Com Frank, não há neutralidade. A questão é que ele agora se encontra no outro lado. Quando a perseguição aos verdadeiros crentes começar, é de esperar que esse seja o pretexto que será usado. Os evangélicos conservadores serão vistos como Frank os pinta. Perigoso, não é? Dá para ver o motivo por que agora Frank se tornou o queridinho da imprensa secular.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Fonte: Slice of Laodicea

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3 comentários sobre “O triste legado do filho de Francis Schaeffer

  1. Eis que hoje me deparo no site da BBC com um artigo do sr Lucas Mendes do dia 13 chamado Altar dos Loucos.Para minha surpresa o artigo falava de Francis Schaeffer, que eu fiquei conhecendo hoje após leitura desse post.Ele foi descrito como o inspirador da direita evangélica americana e foi mencionado que ele se decepcionou com os pastores após ver ” a ganância, a hipocrisia, a vaidade, a corrupção e a sede de poder dos lideres que suas idéias tinham gerado “.O autor mencionou também que “Shaeffer era um homem tolerante em questões sociais e sexuais e nunca condenou o homossexualismo”.E o filho dele é “Quem devassa essa direita cristã é o filho dele, Frank, que, com o pai, inconscientemente gerou os monstros que ele agora denuncia no seu livro”.O autor disse que “Schaeffer comentou sua grande decepção com os amigos, mas morreu de câncer antes de torná-las publicas”.Realmente uma versão bem diferente da que foi apresentada aqui, apresentando o pastor Francis como uma pessoa responsável pelo erro e ganância de outros pastores. É um típico exemplo da mídia para desacreditar os fundamentalistas, possivelmente com algumas informações falsas(nunca condenou o homossexualismo), as quais eu não posso questionar por não conhecer a vida desse pastor. Ps: Por que mudou o sistema de comentários? Achei mais confuso.

  2. A questão é a seguinte: Francis Schaeffer foi um grande apologista e evangelista, mas ninguém sabe como era o relacionamento íntimo de Francis com sua família. Talvez esse rapaz esteja evidenciando como era o relacionamento familiar. Os país são formadores diretos do caráter dos filhos e as escrituras sagradas dizem isso.
    Francis Schaeffer pode ter sido um grande defensor da fé protestante, mas quem disse que ele tinha um bom relacionamento familiar. Essa reação do filho evidencia essa hipótese. INFELIZMENTE!!!!
    Muitas vezes deixamos a defesa da fé ultrapassar os limites do amor e até mesmo da criação dos filhos!

    Abraços
    JP

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