Julio Severo

Cristãos da Europa na mira

Publicado em Bob Unruh, Europa, Gudrun Kugler, perseguição, perseguição religiosa por juliosevero em 28 de março de 2012

Cristãos da Europa na mira

Relatório mostra que eles sofrem mais ataques do que qualquer outra religião

Um novo relatório revela que os cristãos são alvo de ataques físicos, intolerância e discriminação por motivo religioso mais do que pessoas de qualquer outra fé na Europa.

Estatísticas mostram a amplitude do problema: 74% dos entrevistados no Reino Unido responderam que houve mais discriminação negativa contra os cristãos do que contra pessoas de outras fés, segundo relatório divulgado em 2011 pela organização Observatório da Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa.

O relatório mostra que 84% do “vandalismo em rápida ascensão na França é direcionado a locais de culto cristãos. Na Escócia, 95% da violência com motivação religiosa tem como alvo os cristãos”.
Elaborado por Gudrun Kugler, cuja ONG pode ser encontrada em IntoleranceAgainstChristians.eu, o relatório destaca o fato de que os cristãos são atacados exatamente por serem cristãos.
“O termo ‘intolerância’ remete à dimensão social, e o termo ‘discriminação’ ao legal. O comportamento intolerante e discriminatório resulta da oposição a pontos específicos da fé cristã ou de posições morais que são parte intrínseca da fé cristã”, afirma o relatório. “O comportamento intolerante e discriminatório também é resultado de um viés negativo e categórico contra cristãos e contra o cristianismo como um todo. Esse comportamento faz com que vários setores da sociedade sejam usados como veículos de intolerância e discriminação contra cristãos. Dentre eles estão a mídia e as artes (por meio de estereótipos negativos e exibições profanas); o âmbito governamental (por meio de uma lei discriminatória ou uma decisão judicial enviesada); o âmbito político (exclusão da esfera pública, uma resolução do parlamento, etc.). Intolerância e discriminação contra cristãos também se tornam públicos no local de trabalho, na universidade e na esfera privada e social.
“’Cristofobia’ e ‘anticristianismo’ são termos comuns que descrevem o mesmo problema”, afirma o relatório.
O documento observa também que não existe uma estimativa no âmbito da Europa inteira, mas várias pesquisas locais fundamentam a preocupação quanto ao sentimento e às ações anticristãs.
Na Escócia, por exemplo, de 693 acusações agravadas por preconceito religioso, 2,3% foram contra judeus e 2,1% contra o islã. O restante foi contra católicos e protestantes.
Na França, 94% do vandalismo com ligações religiosas “foi direcionado a locais cristãos”, afirma o relatório.
Mais de dez organizações reconheceram a ascensão do problema e emitiram declarações, incluindo o Seminário do Parlamento Europeu, que declarou que “a intolerância anticristã ocorre de diferentes formas na União Europeia e, portanto, precisa de uma abordagem em várias frentes”.
De acordo com o Instituto Cristão do Reino Unido, cerca de 85% dos crimes de ódio na Europa são contra cristãos.
Kigler afirma: “Notamos também restrições profissionais aos cristãos: uma aplicação restritiva da liberdade de consciência faz com que profissões como juízes, médicos, enfermeiras, parteiras e farmacêuticos gradativamente se fechem para os cristãos. Já está na hora de um debate público para responder a essa realidade”, afirma Kugler. “Professores e pais enfrentam perigo quando discordam da ética sexual definida pelo Estado. Nossa pesquisa mostra que com uma abordagem mais complacente à religião e ao Cristianismo em particular, a Europa cumprirá com seu valor fundamental de liberdade”.
Na categoria Liberdade Religiosa foi listado um caso envolvendo um mosteiro na Turquia, cujas terras foram “expropriadas” pelo governo, decisão que foi mantida pelo judiciário do país. E na Espanha, um painel de vidro foi fixado para impedir os fiéis de entrarem na capela da Universidade de Valladolid. A direção da universidade disse aos alunos: “Vão rezar no pátio”.
Na Alemanha, uma mãe cumpriu pena de prisão de 43 dias por se recusar a matricular seu filho em uma aula de educação sexual explícita considerada obrigatória pelo governo, e um membro da equipe do Primeiro Ministro Britânico David Cameron exigiu a proibição de casamentos em igrejas cristãs até que eles celebrassem também “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo.
Na categoria Liberdade de Expressão, um professor francês foi demitido por mostrar a seus alunos um vídeo sobre o aborto e por falar sobre as leis do aborto na França. Na Polônia, uma conferência terapêutica que visava ajudar pessoas que lutavam contra a atração pelo mesmo sexo teve negada a permissão de utilizar as instalações da Fundação Faculdade de Medicina em Poznan. Carteiros do Reino Unido se recusaram a entregar gravações do Livro de Marcos do Novo Testamento depois de o chamarem de “material ofensivo”. Um líder do Partido Nacional Escocês, Gordon Wilson, relatou que um “motim” o expulsou do conselho do Gabinete de Apoio ao Cidadão de Dundee por ter manifestado apoio ao casamento tradicional.
Em Liberdade de Consciência, pais adotivos no Reino Unido perderam o direito de ajudar crianças porque se recusaram a apoiar o homossexualismo, uma farmácia foi vandalizada na Alemanha depois que o dono se recusou a vender drogas abortivas, e juízes de paz da Holanda serão avaliados anualmente para garantir que facilitem o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.
Alguns dos problemas mais relevantes vêm das políticas de “igualdade” que favorecem os homossexuais, de acordo com o estudo. Em um disparate na Croácia, um “professor de catecismo católico em uma escola primária de Zagreb foi acusado de homofobia por não dizer nada a não ser ensinamentos da Igreja Católica durante as aulas de catecismo”.
Internacionalmente, a Apple suprimiu a diversidade com a retirada de dois aplicativos cristãos do iPhone, e organizações católicas do Reino Unido foram ordenadas a facilitar as adoções por homossexuais ou então fecharem as portas.
Outros problemas vieram da intolerância social ao Cristianismo e da exclusão dos cristãos da vida pública, segundo o relatório.
A difamação contra os cristãos se destacou em um caso na Polônia em que torcedores de futebol homossexuais demandaram assentos separados nos campeonatos de 2012.
Segundo o relatório, “O comentarista esportivo da Imprensa Associada, Terry Taylor, noticiou a respeito do pedido com o seguinte comentário: ‘A homofobia também continua profundamente enraizada na Polônia por causa do legado do comunismo, que tratava o homossexualismo como um tabu, e dos ensinamentos da igreja em um país predominantemente católico romano’”.
Acrescentou o jornalista com relação ao caso da Polônia: “Autoridades da embaixada americana sob o governo Obama reclamaram que os ensinamentos da Igreja Católica são uma das principais fontes de ‘homofobia’ no país de maioria católica”.
Foram citados também dezenas de casos de “ódio”, como o incidente na Bélgica em que uma autoridade católica foi alvejada com tortas, janelas quebradas na Áustria após um evento pró-vida, incêndio em uma igreja da Espanha e túmulos vandalizados na França.
“Os cristãos não deveriam ser marginalizados ou discriminados por serem herdeiros de um grupo religioso que teve no passado, e ainda tem, um papel importante”, conclui o relatório.
“A religião, e acima de tudo a fé cristã, é um bem valioso para a sociedade: As pessoas religiosas possuem um estilo de vida mais saudável e expectativas de vida mais longas; possuem chances menores de sofrerem de depressão, têm casamentos mais estáveis, são menos propícios a cometerem atos criminosos e são mais generosos na contribuição para o bem comum A religião deveria ser promovida e estimulada, e não restringida e oprimida”.
Traduzido por Luis Gustavo Gentil do artigo do WND: “Bull’s-eye placed on European Christians

Reversão Demográfica Irá Acabar com o Assistencialismo Estatal

Publicado em assistencialismo, Europa, Grécia, pirâmide demográfica, social democracia por juliosevero em 28 de dezembro de 2011

Reversão Demográfica Irá Acabar com o Assistencialismo Estatal

Mark Steyn
Nossa lição hoje vem do Evangelho segundo Lucas. Não, não é sobre a manjedoura, os pastores, os sábios, nada disso, mas o outro nascimento:
“Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias;  Porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhes porás o nome de João.”
Esse pedacinho de história bíblica não recebe muita atenção, mas está lá: Lucas 1:13, parte do que chamaríamos de história prévia, se ele fosse um roteirista de Hollywood, e não um estudioso.
Dos quatro evangelhos, apenas dois se deram ao trabalho de contar o nascimento de Cristo, e apenas Lucas começa com a história de duas gestações. Zacarias fica surpreso com sua iminente paternidade: “pois eu sou velho, e minha mulher também está avançada em idade”.
Apesar de tudo, uma senhora de idade e estéril como Isabel concebe, e no sexto mês de gravidez, o anjo visita sua prima Maria e lhe diz que ela, também, irá conceber.
Se você ler o livro de Lucas, o nascimento da virgem parece uma extensão lógica do milagre anterior: a gravidez de uma senhora de idade.
O estudioso/autor não teve dificuldades em aceitar ambos. Para Mateus, o nascimento de Jesus foi um milagre; Lucas nos deixa com a impressão de que todos os nascimentos, toda a vida é de algum modo miraculosa e um presente de Deus.
Nós agora vivemos no mundo de Isabel; não só porque a tecnologia alcançou a divindade e permitiu que mulheres nos seus 50 e 60 anos se tornassem mães, mas também num sentido mais fundamental.
O problema com o avançado Ocidente não é que ele está quebrado, mas que está velho e estéril. Isso explica por que ele está quebrado.
Veja por exemplo a Grécia, que se tornou sinônimo de insolvência nacional: “Os EUA estão rumando para o mesmo destino da Grécia se não mudarem sua atitude”, etc.
Isso quer dizer que a Grécia tem problemas de gastos, de receitas, e algo nesse sentido, certo?
Em um nível superficial, sim. Mas a questão fundamental é bastante primordial: a Grécia tem uma das menores taxas de fertilidade do planeta. Na Grécia, 100 avós têm 42 netos; ou seja, a árvore genealógica está de cabeça para baixo.
Em um Estado social democrata onde os trabalhadores em profissões “de risco” (como, digamos, cabeleireiros) se aposentam aos 50 anos, não há jovens suficientes para pagar a aposentadoria deles de três décadas. E as próximas gerações terão mais problemas ainda.
Veja por outro ângulo: Os bancos são um mecanismo pelo qual as pessoas idosas com capital emprestam para jovens cheios de energia e ideias.
O mundo ocidental inverteu esse conceito. Se 100 velhinhos acumularem milhões de dólares de dívida, será que 42 jovens algum dia conseguirão pagá-la?
Como destacou Angela Merkel em 2009, o estímulo financeiro de Obama para a Alemanha estava fora de cogitação, simplesmente porque os credores internacionais sabiam que não haveria jovens alemães suficientes para quitá-lo.
A Alemanha, a potência econômica do continente europeu, tem a maior proporção de mulheres sem filhos na Europa: Uma em cada três jovens alemãs abrem mão da maternidade em caráter definitivo.
“A população economicamente ativa da Alemanha provavelmente irá cair 30% nas próximas décadas””, afirma Steffen Kroehnert do Instituto de Desenvolvimento Populacional de Berlin. “As áreas rurais estão vendo um declínio populacional em larga escala, e alguns vilarejos irão simplesmente desaparecer”.
Se o problema com o socialismo é, como afirma a Sra. Thatcher, é que mais cedo ou mais tarde acaba o dinheiro dos outros, o Ocidente avançou para o próximo nível: Acabaram os outros, ponto final. A Grécia é uma terra de cada vez menos consumidores e trabalhadores, mas cada vez mais aposentados e mais governo. Como é que dá para expandir a economia em um mercado em contração?
O primeiro mundo, assim como Isabel, está estéril. Coletivamente estéril, devo acrescentar.
Individualmente, ele está repleto de milhões de mulheres férteis, mas que infelizmente optam por não terem sequer um filho, ou terem um sob medida aos 39 anos. Na Itália, berço da Igreja Católica, a taxa de natalidade é de 1,2 ou 1,3 por casal, ou metade da taxa de reposição populacional.
Japão, Alemanha e Rússia já estão com crescimento vegetativo em declínio. 50% das mulheres japonesas nascidas na década de 70 não têm filhos. De 1990 a 2000, a porcentagem de mulheres espanholas sem filhos aos 30 anos dobrou, de pouco mais de 30% para quase 60%.
Na Suécia, Finlândia, Áustria, Suíça, Holanda e no Reino Unido, 20% das mulheres de 40 anos não têm filhos. Em uma recente pesquisa de opinião que pedia aos alemães que dissessem o número “ideal” de filhos, 16,6% disseram “nenhum”.
Estamos vivendo no mundo de Zacarias e Isabel, por escolha própria.
Os EUA não estão em uma situação tão perigosa, ainda. Mas o seu encontro com o apocalipse fiscal também tem raízes demográficas: A geração do pós-guerra não teve filhos suficientes para manter a solvência dos sistemas assistencialistas que surgiram na metade do século XX, estruturados com base nas taxas de nascimento daquela época.
A “década do eu [onde as pessoas queriam independência de casamento e filhos]” se transformou em “duas décadas e meia de eu”, e até mais. Os “eus” estão todos ficando velhos, mas não se deram conta de que pode chegar um tempo em que irão precisar de mais alguns “eles” para continuar alimentando o tesouro nacional.
A noção de vida como uma experiência de crescimento pessoal é mais radical do que parece. Durante a maior parte da história humana, as sociedades funcionais privilegiaram o longo prazo. Essa é a razão pela qual milhões de pessoas têm filhos, constroem casas, plantam árvores, abrem negócios, fazem testamentos, constroem belas igrejas em simples aldeias, lutam, e se necessário morrem pelo seu país.
A nação, a sociedade, a comunidade é um pacto entre passado, presente e futuro, no qual os cidadãos, nas palavras de Tom Wolfe no seu artigo The “Me” Decade and the Third Great Awakening: “concebe a si mesma, embora inconscientemente, como parte de um grande rio biológico”.
Boa parte do mundo desenvolvido saiu desse rio. Não é preciso fazer sacrifícios materiais: o Estado toma conta de tudo. Não é preciso ter filhos. E certamente não será preciso morrer pelo rei ou pelo país.
Mas uma sociedade que não tem nada por que morrer, também não tem nada por que viver. Não é mais um rio, mas uma poça estagnada.
Se você acredita em Deus, o argumento utilitário em favor da religião irá parecer insuficiente e simplista: “São narrativas úteis que contamos a nós mesmos”, como escutei uma vez de uma pastora frouxa ao defender sua posição sobre a Bíblia.
Mas se o cristianismo é nada mais do que uma estorinha “útil”, é uma estória perfeitamente bem construída, a começar pela decisão de estabelecer a divindade de Cristo no milagre do Seu nascimento.
Os hiperracionalistas devem pelo menos ser capazes de entender que o “racionalismo” pós-cristão entregou boa parte da cristandade a um modelo de negócio totalmente irracional: um esquema de pirâmide construído em uma pirâmide invertida. Lucas, um homem de fé e um homem de ciência, teria visto aonde isso iria levar.
Tradução: Luis Gustavo Gentil
Fonte em português: www.juliosevero.com
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